Bilhete encontrado em cena de crime é da servidora do TRT que matou filha e cometeu suicídio

Laudo confirma existência de frase onde Cristiane Alves afirma que arma foi emprestada por advogado

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O exame de grafotécnica realizado pelo Instituto de Criminalística de Alagoas (IC/AL) no bilhete suicida encontrado durante perícia de local de crime na residência da funcionária do Tribunal Regional do Trabalho de Alagoas (TRT/AL), Cristiane Alves da Silva, foi concluído na manhã desta quarta-feira, 13. No laudo, a perita criminal Milena Testa, chefe do Núcleo de Documentoscopia, concluiu que a servidora é mesmo autora da carta.

 

O crime aconteceu na madrugada do dia 19 de março de 2016, quando Cristiane Alves, supostamente teria matado sua filha, de 12 anos, e logo em seguida se matou. A servidora do TRT chegou a ser socorrida, mas, não sobreviveu e morreu dois dias depois em um hospital particular da capital.

 

No dia do crime, uma equipe do IC foi acionada e esteve na residência, onde localizou um bilhete suicida, que foi recolhido pela perita criminal Daniele Teles e enviado ao Núcleo de Documentoscopia para análise. Em um dos trechos da carta estava escrito a frase: “Agradeço ao colega advogado do TRT que me forneceu a arma de uso”.

 

Milena Testa explicou que o exame foi feito para confirmar a autenticidade por convergência de punho – ou seja, se foi ela mesmo que escreveu o referido bilhete de despedida. Neste caso específico, foi realizado o confronto do bilhete com alguns outros manuscritos coletados também no local do crime e que foram utilizados como referência no exame grafoscópico.

 

Segundo a perita, esse material foi determinante para a verificação do atendimento aos requisitos essenciais aos exames grafotécnicos. Através deles, as peritas da Documentoscopia puderam constatar que partes dos grafismos recebidos apresentavam várias características.

 

“Os manuscritos apresentavam características de punho com potencial reflexo de significativa mudança de ânimo do autor, qual seja a alteração de calibre, tremores, inconsistências formas com reminiscências gráficas, emendas e maior pressão e velocidade, em comparação com outros produzidos em fase de normalidade de ânimo”, disse a perita.

 

Participaram também da análise dos manuscritos as peritas Lídia Tarchetti e Márcia Yanara Lima Pereira Melo. O laudo contendo dez folhas, com todas as explicações técnicas será encaminhado para a Delegacia de Homicídios. Outra cópia ficará a disposição da perita responsável pelo local de crime.

Farão José – Agência Alagoas