Usinas de Alagoas podem ficar sem financiamento de 500 milhões de dólares

Setor teme que a burocracia inviabilize o empréstimo e prejudique a renovação do canavial

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As usinas de cana-de-açúcar de Alagoas correm o risco de ficar sem o financiamento de US$ 500 milhões – o equivalente a R$ 1,77 bilhão, em valores atuais – que o banco Credit Suisse disponibilizou para as indústrias canavieiras da região Nordeste.

Apesar de o empréstimo ter sido aprovado pelo Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig) em reunião extraordinária realizada na quarta-feira, 13, o banco suíço ainda não recebeu o parecer com a aprovação do Cofig, colegiado integrante da Câmara do Comércio Exterior (Camex) que tem como função acompanhar as operações do Programa de Financiamento às Exportações (Proex) e do Fundo de Garantia à Exportação (FGE).

O setor teme que a burocracia inviabilize o empréstimo e prejudique a renovação do canavial – um dos objetivos do financiamento – em Alagoas. “O setor tem urgência de empréstimo porque estamos no período climático em que é feita a renovação do canavial. Se perdermos esse prazo, tudo ficará prejudicado”, disse ontem o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas (Sindaçúcar), Pedro Robério de Melo Nogueira.

Segundo ele, desde que foi aprovado, na semana passada, o próprio Credit Suisse cobra diariamente o parecer do Cofig, “que não dá explicação nenhuma pela demora de enviar o documento”. “Parece absurdo, mas corremos o risco de ficar sem o financiamento por causa da burocracia”, lamenta Pedro Robério.

A urgência do presidente do Sindaçúcar é motivada pelo risco da perda da validade da Medida Provisória 701, de oito de dezembro de 2015, que permite a contratação de crédito através do FGE. Para que isso não aconteça, a MP precisa ser aprovada no Congresso Nacional até o dia 17 de maio.

Na semana passada, uma Comissão Mista do Senado deu parecer favorável à medida, que foi enviada ao plenário da Câmara dos Deputados no dia 14, para apreciação do plenário. Caso seja aprovada, o texto será enviado ao Senado. “O problema é que o [rito de] de impeachment da presidente Dilma Rousseff pode inviabilizar a sua votação no devido prazo”, teme Pedro Robério. “As atenções no Senado vão estar voltadas para o processo de impedimento”, explica.

Gazeta de Alagoas